[Crítica] Eles Vão Te Matar (2026): Tarantino dizendo "What the f..."


O mistério mal resolvido aqui seria: O que aconteceu com “Eles Vão Te Matar”? Porque, olha... vamos lá! Muitas questões para se investigar. Um jovem diretor russo chamado Kirill Sokolov resolve coescrever um roteiro junto do imigrante Alex Litvak para simplesmente meter o pé na porta de Hollywood e lançar um dos filmes mais loucos que já assisti nas últimas DÉCADAS. Acho que a última vez que assisti algo parecido foi em 2004, com a exótica obra-prima de Tarantino – “Kill Bill”.

A questão é que o filme não é de mistério, mas de comédia e horror. E é brilhante! Mesmo sendo repetitivo, quase copiando alguns elementos base na história, onde uma seita satanista mais uma vez quer oferecer sacrifícios humanos como em "Casamento Sangrento" (2019). A diferença é que, dessa vez, a união do humor com o horror se fundem de forma magistral e as coisas conseguem funcionar sem perder sua identidade, executando sua proposta de forma extremamente divertida. 

Não sei o que seria mais impressionante aqui, a atuação de Zazie Beetz (de “Deadpool 2”) ou a espontaneidade coreográfica (e muitas vezes inusitada) em todas as cenas de luta. O roteiro consegue se estruturar de forma que o absurdo no gore possa chegar a níveis extremos. Filmes como “A Morte Te Dá Parabéns” (2017) deu essa liberdade à história, mas aqui temos litros de sangue jorrando de cabeças decapitadas, enquanto mãos e pés são decepados por uma espada forjada na cadeia, e que não aprendeu a hesitar.

Só é uma pena ter faltado um pouco mais de sensibilidade do roteiro em lidar com questões sérias envolvendo o racismo. Esse buraco é algo que, mesmo ficando no subliminar, acaba tirando o brilho do filme. Antes não tivesse ficado no subliminar e houvesse um motivo contextual. Incomoda bastante a história trazer a maioria de garotas negras para servirem de sacrifício ao diabo, enquanto se tenta mascarar uma ideologia escravista com a ironia de um casal inter-racial no meio de todo esse enredo. Ficamos sem entender e, pra não deixar supostas pretensões pouco justificáveis dentro de um caráter duvidoso, colocam um personagem branco de “taxista” pra ajudá-las no final. Não sei bem o quão confuso e complicado isso possa parecer caso o Jordan Peele e o Spike Lee resolvam assistir esse filme, mas talvez esse seja o motivo da crítica especializada não ter ovacionado e ficado bem dividida.

A dúvida se a seita em "Eles Vão te Matar" é satanista, neonazista, ou ambos

Só isso justifica “Eles Vão Te Matar” (2026) sair da posição do que seria excepcional, como uma das maiores surpresas do ano no fator cinema e diversão, para algo mediano. O que, na verdade, seria sobre ser comprometedor e problemático envolvendo questões sociais. Algo que não adiantaria o diretor e o roteirista tentarem explicar em entrevistas, afinal, o erro está no filme e em como isso ficou mal expresso. Uma grande pena! Realmente.

Fora que a ótima frase utilizada na abertura: “Quando o pobre dá ao rico, até o diabo ri” de Benvenuto Cellini, também pode ter surtido efeito e não ajudado muito nas bilheterias.
_______________________________
★★★ (Muito bom | Nota: 7/10)

 *Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR