[Crítica] Socorro! (2026): Direita VS Esquerda no centrão de uma ilha deserta

Colocar Sam Raimi mais uma vez no tempero comédia + terror é algo que acaba gerando hype em muita gente, afinal, estamos falando do criador de “A Morte do Demônio” (1981) e “Arraste-Me para o Inferno” (2009). Mesmo que sua peculiar e excepcional fórmula esteja aqui mais uma vez, em “Socorro” (2026) a comédia está de mãos dadas com o thriller de sobrevivência, e isso não quer dizer que o gore tenha ficado de fora.

Com a talentosíssima Rachel McAdams no papel principal, que repete seus dotes pro humor como o visto na comédia de bom gosto “A Noite do Jogo” (2018) e o carismático Dylan O’Brien em um momento de ascensão, o que poderia dar errado? Lembrando que a queda de um avião e seus personagens acabarem presos numa ilha deserta faz parte do roteiro de Sam Raimi.

Um enredo que já vimos tantas e tantas vezes, seja em filme ou série, em que pessoas sofrem um acidente de avião e acabam tendo que sobreviver numa ilha deserta. Mas aqui existe um diferencial, veja bem. A funcionária do mês VS. o patrão escroto. Nisso, Sam Raimi consegue desenvolver uma sátira divertida, trabalhando no RH ou no escritório da diretoria, o potencial é a personalidade de seus personagens.

A graça não é entender quem é o vilão e a vítima, mas simplesmente a montanha-russa que somos inseridos. Com efeitos visuais bem bacanas e cenas nojentas já típicas do diretor, “Socorro!” (2026) consegue divertir de forma atrapalhada. Acredito que a escolha ideal teria sido um thriller com comédia, não uma comédia com uma história de sobrevivência. Sabemos que quando o Raimi passa do ponto no humor, as coisas chegam em um “emo-aranha” e, talvez, algumas cenas chegaram bem perto disso aqui também.

O ambiente corporativo ficou diferente no filme "Socorro!"

Filmes como "Pisque Duas Vezes" (2024) já levantaram dúvidas morais acerca do caráter de personagens ficcionais (ou não), mas aqui as coisas ficam mais bem colocadas, pelo menos. Um plot twist que arranca bons risos e uma frase de efeito que nos faz refletir bastante. Só é uma pena o filme deixar a sensação de que tudo pudesse ter sido melhor aproveitado. Definitivamente o nível de “Arraste-Me para o Inferno” (2009) se sobressaiu em comparação a esse, mas ainda assim, Sam Raimi consegue deixar sua marca e fazer o ingresso valer a pena novamente.
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★★★ (Bom | Nota: 6/10)

*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR