[Crítica] Presente Maldito (Vicious): Bryan Bertino está de volta!


Se alguns tinham dúvida sobre o nome de Bryan Bertino ser uma referência no que diz respeito ao gênero terror, acredito que agora isso está mais que consolidado. De fato ele é um dos grandes nomes atuais quando pensamos em obras propulsoras de calafrios na espinha, nos imergindo em atmosferas que mostram o real sentido da palavra MEDO. Juntamente com Ari Aster, Jordan Peele, Robert Eggers, os irmãos Philippou, dentre toda uma galerinha aí, cada um com sua marca e inspiração, em Bertino vemos a brincadeira com o clichê ser usada com frescor, a níveis intensos, tensos e impactantes. 

Na verdade, não é de hoje que seu nome ganha destaque no gênero. Mais conhecido por sua estreia no ano de 2008 com “Os Estranhos”, ele possui um currículo até modesto. Filmes como “The Monster” (2016) e "The Dark and the Wicked" (2020) são obras que passaram despercebidas aos olhos de muitos e, curiosamente, mais uma vez ele fica longe dos holofotes com esse lançamento direto em streaming. Previsto para os cinemas, “Vicious” (2025) foi removido da programação de lançamento da Paramount e infelizmente o cinema perdeu a apreciação de mais essa obra notável.

Com uma atuação DA CARREIRA de Dakota Fanning, quando olhamos, claro, pra sua fase adulta, não pro destaque como atriz mirim em filmes como “O Amigo Oculto” (2005) e “Guerra dos Mundos” (2006), ela encontra oportunidade para entregar não apenas uma de suas melhores performances, mas uma das melhores dos últimos tempos em todo o gênero terror, colocando-a finalmente no posto de "scream queen".

Com um “Presente Maldito” (2025) somos embalados num ritmo vertiginoso, que passa pelas mãos da direção e nos insere dentro de um pesadelo incessante, ressurgindo com a essência do gênero terror em meio a tantos filmes que chocam (horror), mas não possuem mais tanta preocupação em assustar de verdade (terror). 

Mesmo que ele não chegue nem a 1/3 do medo atmosférico de tensão extrema como em "The Dark and the Wicked" (2020), "Vicious" (2025) possui o suficiente para que essa “caixinha” entregue por um estranho no meio da noite, acabe pegando muitos de surpresa. Confesso que não esperava tanto. Por isso, ao verem o trailer, não subestimem!

O roteiro de Bryan continua refinado, com diálogos que nos estimulam e personagens com certas camadas que prendem nossa atenção. Porém, uma de suas marcas talvez seja um problema (outra vez), afinal, muitos não gostam de “Os Estranhos” (2008) até hoje justamente por sua história vaga, sem um motivo que o justifique, e que acaba do nada. Em "The Dark and the Wicked" (2020) a mesma coisa. Enfim, esse mal aleatório, que era pra ser assustador por não se explicar, acaba descontextualizado e incomodando um pouco. E aqui não é diferente.

Dakota Fanning entregando atuação (e um dedo) em cena de "Presente Maldito"

Um mero detalhe, que não irá estragar a experiência nem tirar a qualidade da obra como um todo pela proposta da intensidade e diversão. A questão é: quando pensamos que as cenas demoníacas de automutilação da obra anterior já haviam sido superadas, Bertino retorna em 2025 e nos faz recordar do quão perturbadoras elas são, gerando novos traumas, elevando (mais uma vez) a experiência a outro patamar. Realmente é uma pena não ter sido lançado nos cinemas (outra vez).
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★★★★ (Ótimo | Nota: 8/10)

*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR