Por um momento fiquei tentando entender o que a cena de abertura continuou fazendo ali mesmo após o corte final. Algo que destoa bastante de todo o resto, e que talvez permaneceu pela intenção de homenagear os filmes trash, então, vou considerá-la como um pontapé inicial de algo que viria a ser uma boa surpresa de qualidade crescente, mesmo que seu início beira o constrangimento.
“Bone Lake” (2024) consegue se inspirar em ideias que vêm dando certo no gênero, se destacando do convencional por sua eficácia em executar sua própria história e nos surpreender com uma produção que poderá tranquilamente passar por muitos como subestimada. Lançado em setembro de 2024 no Fantastic Fest, vemos um thriller psicológico bem temperado, com gore e leves pitadas da pimenta erótica que nem sempre é bem inserida.
Mesmo que a comida aqui tenha uma conotação diferente, consigo comparar esse filme a um menu à la carte:
1º) Cena de abertura com uma entrada trash e fora do tom, parecendo ter sido filmada por outra pessoa e inserida despretensiosamente;
2º) Thriller psicológico como um ótimo prato principal, entregando um desenvolvimento que me lembrou bastante o desconforto comportamental de "Speak No Evil" (2022);
3º) Sobremesa com direito a uma cereja em cima, salpicada de sangue, num ato final que nos revela, sem limite de onde o ser humano pode chegar, algo grotesco que passa longe do que poderia ser meramente um "fetish".
Temas bem interessantes são levantados pelo roteiro de Joshua Friedlander, principalmente no que diz respeito à vida íntima de um casal, sexualidade e provações, num jogo paranoico de fidelidade e confiança. A direção de Mercedes Bryce Morgan demonstra segurança e nos entrega essa surpresa que vale a pena dar uma conferida e, inclusive, ser lançada nos cinemas.
Mesmo que a história de “Bone Lake” (2024) seja uma construção que não se esforça em esconder de onde possivelmente vem a ameaça, a questão mesmo é a qualidade do filme na forma que sua proposta é conduzida e o que isso gera como resultado final. Eu sei que sou um brasileiro que ama ver ator/atriz do meu país tendo oportunidades como essa, mas realmente o filme mescla seus elementos de forma certeira, e ver Marco Pigossi falando inglês tecnicamente tão bem e atuando (algo que não é fácil) é apenas um detalhe que pode ter favorecido muito. Claro que não só ele se destaca! Todo o elenco entrega uma atuação bem elevada e ajuda o filme a ser uma das maiores surpresas do gênero que assisti esse ano.
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★★★★ (Ótimo | Nota: 8/10)
*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR
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