O grande plot twist desse filme foi quando os créditos finais subiram e o nome de Johannes Roberts apareceu na tela. Eu pelo menos não sabia que ele dirigiu e coescreveu. No trailer não utilizaram o slogan “Do mesmo diretor de Medo Profundo...” então, acabei me surpreendendo que a Paramount resolveu dar sinal verde pra mais essa tentativa após as bombas “Medo Profundo: O Segundo Ataque” (2019) e “Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City” (2021).
O que é bom é que dessa vez não chega a ser uma bomba, mas quase. Ter assistido nos cinemas deve ter decepcionado muita gente, mesmo aqueles que pagaram meia, e quanto mais Johannes Roberts tenta se consolidar no gênero, mais eu desconfio que o excepcional "Medo Profundo" (2017) foi dirigido por outra pessoa (talvez por Mandy Moore e Claire Holt, quem sabe?), porque a disparidade é MUITO grande.
Em “O Primata” (2025) conseguimos até ver uma variação do subgênero “animais assassinos” e o gore pode ser que impressione, mas tentar encaixá-lo nos moldes do slasher fez ele perder muito a força criativa, que já não era muita.
O comportamento oscilante do chimpanzé de estimação após ter contraído a raiva, por si só, já seria bem assustador. O problema é que o roteiro provavelmente não soube desenvolver um horror psicológico e acabou apelando para situações de encurralamento que soaram bem improváveis, quando não, ruins.
A sensação de que tudo foi improvisado é enorme e o orçamento do filme não foi tão baixo assim pro gênero – 24 milhões. O roteiro de Johannes Roberts e Ernesto Riera parece consistir em uma página com as informações do imóvel de luxo que haviam alugado para as filmagens. Até a piscina de borda infinita fez parte do roteiro e foi explorada como tentativa de gerar momentos de tensão.
Outro sinal do improviso está nas atuações, afinal, nem sempre o diretor terá a patente de uma Mandy Moore e uma Claire Holt carregando o filme nas costas. Apesar de tudo, dá pra passar o tempo. Mesmo que ele nos deixe mais com dó do animal do que com raiva por ele estar matando pessoas. "O Primata" (2025) é bem produzido, com mortes insanas e graficamente bem feitas, e um “chimpanzé-monstro” de efeitos práticos que acaba se tornando algo até bizarro. Porém, não espere nada além disso. E, em alguns casos, o “além disso” é que acaba sendo o problema.
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★★ (Fraco | Nota: 4/10)
*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR
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