Lee Cronin é um diretor e roteirista irlandês que vem chamando bastante atenção no gênero. Não à toa, foi-lhe entregue nas mãos “Evil Dead Rise” (2023), sequência de uma das franquias mais icônicas do horror. Com "Maldição da Múmia" (2026), ele nos apresenta praticamente o que seria um filme definitivo. Se para alguns “Drácula de Bram Stoker” (1992), de Francis Ford Coppola, é a representação quando se fala de vampiros, então podemos estar diante de um clássico contemporâneo feito para nos transportar ao lugar de um horror primitivo, enterrado há muitos anos, onde nem sempre o vilão é necessariamente o sobrenatural.
O título original - “Lee Cronin's The Mummy” (A Múmia de Lee Cronin) - já demonstra sua confiança e ambição em não ter sido feito apenas para ocupar um espaço na agenda. Com um roteiro redondinho e uma edição que consegue transmitir ao espectador o impacto temporal entre os acontecimentos, temos 2 horas e 14 minutos de uma história que irá chocar e embrulhar o estômago de muita gente já acostumada com o horror. Transitando entre o Egito e o México, a belíssima ambientação nos coloca dentro de mistérios inexplorados, mesmo que a perda de alguém que amamos não seja algo tão desconhecido assim.
Fazendo referências a histórias já conhecidas no gênero, como o trágico velório do livro "O Cemitério" de Stephen King, a tempestade de areia da própria franquia “A Múmia” iniciada em 1999, e o senso de humor ácido do mestre Sam Raimi, visto como sua marca em filmes como “Arraste-me para o Inferno” (2009), onde uma dentadura sem Corega sai voando da boca de alguém, aqui também vemos escolhas peculiares. Lee Cronin não apenas pisa fundo no body horror, mas o une com o horror psicológico um tanto amenizado nos filmes "Cemitério Maldito" (1989), chocando até mesmo a classificação indicativa para maiores de 18 anos, que quase parou nos +21.
Mesmo que o filme pendeu mais para o horror (repulsa) do que para o terror (medo), isso não chega a ser uma falha, porém, esses elementos poderiam ter sido melhor equilibrados. Diferente de “O Exorcista” (1973) que nivela ambos - horror e terror - “Maldição da Múmia” (2026) fica numa mistura de amor e asco, mesmo que se diferencie pela construção gradativa, de saltos temporais imersivos, numa das histórias mais perturbadoras e revoltantes que já vi.
O filme não é perfeito, possui suas inconsistências e exageros "Invocação do Mal". Produzido por James Wan e Jason Blum, e com um orçamento de apenas US$ 22 milhões, o importante é que o prometido foi entregue. Talvez a escalação do casal principal exigisse um ator e uma atriz um pouco mais experientes, onde um roteiro que mistura o estado de choque à falta de capacidade em enxergar rapidamente o que está acontecendo, não ficasse num estupor de incredulidade. O caos em seu final, ao mesmo tempo que abala, também se atrapalha. Mas pra quem gosta de histórias amarradinhas, onde tudo é explicado em um VHS empoeirado e traumático, temos aqui um sarcófago cheio de imundícias, com Branca de Neve e João & Maria podendo andar por um jardim sem serem incomodados.
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★★★★ (Excepcional | Nota: 9/10)
*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR
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