[Crítica] Saccharine (2026): Uma batalha espiritual contra a balança

Pode parecer ironia, mas com 112 minutos o filme não conseguiu matar a fome de ninguém. “Insaciável” (2026) utiliza da nova onda do body horror para trazer não apenas uma questão estética, como em "A Substância" (2024), mas algo sobre saúde e desespero na busca por emagrecimento, transtorno alimentar e uma batalha espiritual fortíssima contra a balança quando se tenta alcançar o objetivo do plano fitness sem cuidar de outras áreas também.

Dirigido e escrito por Natalie Erika James, de "Relíquia Macabra" (2020) e “Apartamento 7A” (2024), o principal problema aqui é de continuidade e falta de fluidez na história, que no começo não chega a incomodar, mas depois de várias cenas aleatórias e sem muito propósito, fica claro que o filme parece querer camuflar um assunto sério com cenas de perseguição poltergeist que enchem bastante o saco (que ainda possui fundo).
 
A ideia de trazer o filme para o sobrenatural com um “espírito da gula” não foi ruim (inclusive, existem mais 6 pecados capitais caso a diretora queira desenvolver outros filmes). O problema foi o roteiro sem aprofundamento e a cansativa falta de noção da personagem central em não saber lidar com uma situação como aquela. Quando encontra uma possível solução, o filme está pra acabar e o problema ainda não foi resolvido. Isso quebra totalmente a ameaça que a história nos apresenta, já que não faz muita diferença o mal que aquilo está causando.

A transformação da atriz Midori Francis durante o filme é o que mais impressiona. Além da classificação indicativa (provavelmente para +18) pelas cenas envolvendo um bisturi e a anatomia humana. A junção do horror (repulsa) com o terror (medo) poderia ter dado certo, mas infelizmente não foi dessa vez. O filme acaba, ficamos com vontade de comer doce, enquanto não entendemos muito bem se a intenção da mensagem era realmente essa.
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★★ (Regular | Nota: 5/10)

*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR