Em 2013 entregaram o Livro dos Mortos nas mãos de Fede Álvarez e o incumbiram de fazer o remake de um dos filmes de horror mais aclamados da história do cinema - "Evil Dead" - considerado por muitos como um clássico irretocável de Sam Raimi. Sem tempo para risadinhas, o filme chegou com uma nova visão e foi satisfatório dentro do que se propôs, pisando fundo no gore e na parte gráfica, dividindo opiniões que já estavam com pé atrás aos remakes da época.
A ascensão sem uma base
Os planos para a franquia não pararam, e em 2023 é lançado "Evil Dead Rise", uma sequência com uma história totalmente aleatória ao filme de 2013. Dirigido e escrito por Lee Cronin, não há muita conexão entre o prédio que esconde mistérios e o universo pandemônico que parte de um livro satânico largado numa cabana no meio de uma floresta.
Mesmo assim, Cronin consegue manter a roupagem em sua parte gráfica e usar da aleatoriedade pra jogar cenas brutais na tela e, quem sabe, "divertir a família". O roteiro tenta camuflar a falta de uma conexão mais forte e coloca uma gravação empoeirada pra tocar, explicando de certa forma como tudo se expandiu.
A ideia é até interessante, mas não carrega o suficiente que justifique uma família com adolescentes curiosos de acabar invocando o demônio pro seu ap. Algumas circunstâncias são arquitetadas de forma esporádica e possui sua criatividade, mas diferente de filmes como "O Grito 2" (2006) por exemplo, que conseguem interligar vários lugares em sua história, "A Morte do Demônio: A Ascensão" (2023) nos deixa no raso quanto a isso, e quase cai no que seria uma diversão estúpida.
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★★ (Regular | Nota: 5/10)
*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR
Em chamas e botando pra quebrar
Se o remake de 2013 tinha ares de ser um reboot, essa sequência de 2026 dirigida e coescrita pelo francês Sébastien Vaniček, do recente "Infestação" (2023), entra no molde do que seria um baita "reinício" da franquia e reparação de seu antecessor.
Que filmaço! Pra quem gosta de um gore bem utilizado e uma história que dá um real significado do porquê o filme passou a existir, aqui temos um prato cheio! Vaniček nos faz lembrar o quanto o cinema de horror francês é insano e brutal quando quer, com ângulos de câmera e planos-sequências que elevam o filme enquanto um personagem possuído pelo demônio avança nas pessoas igual um zumbi e sai quebrando a casa inteira numa luta que deixou de ser espiritual e passou pro corporal.
Nesse ritmo desenfreado do body horror em meio ao caos do quebra-pau, a história se mantém no luto como seu eixo, e dessa vez Vaniček e Florent Bernard dão um rumo pra franquia com um roteiro mais ajustado, sarcástico e impecável. "A Morte do Demônio: Em Chamas" (2026) é uma torrente incontrolável que se mantém fiel a roupagem de seus antecessores, recebendo sua dosagem em seus extremos.
Nem sempre a violência gráfica é bem contextualizada, mas aqui, a forma intensa como tudo sai do controle impressiona demais e me fez lembrar um pouco do ritmo de "Extermínio 2" (2007). A proposta não é dar medo, e desde o remake de 2013 o humor ácido de Sam Raimi já havia sido deixado de lado. Com personagens e temas bem desenvolvidos, esse é daqueles filmes que temos vontade de ver de novo. O choque de suas cenas não irá impressionar apenas na primeira vez e a nostalgia de um "rebobinar a fita" não seria apenas pelo compromisso com as regras da locadora.
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★★★★★ (Obra-prima | Nota: 10/10)
*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR
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