[Crítica] Pokémon: Detetive Pikachu (2019)


A emoção de se completar um álbum de figurinha na pré-adolescência seria algo apenas simbólico para representar a nostalgia de quem sempre foi fã do desenho/anime que estreou em seu país de origem – Japão – no ano de 1997. Independente de qual contato que se teve com esse universo, seja através do desenho ou de um jogo, em 2019 recebemos o primeiro live-action desses personagens tão carregados de afeto – “Pokémon: Detetive Pikachu”.

Com um roteiro de Dan Hernandez, Benji Samit, Derek Connolly e Rob Letterman (esse último também na cadeira de direção), o filme é levemente baseado no jogo e consegue agradar qualquer pessoa que, de alguma forma, tentou caçar pokémon em algum momento da vida quando não se tinha outra coisa pra fazer.

Um detalhe técnico que preciso ressaltar são os efeitos visuais. Não sei dizer se a produtora Legendary Pictures investiu sozinha, mas a última vez que vi algo tão impressionante assim foi com os últimos filmes da franquia “Planeta dos Macacos”. Os pokémon têm textura! Em tempos em que o CGI está cada vez mais artificial, aqui vemos o carinho, o cuidado e o primor quando falamos de “trazer vida” a algo tão guardado em nossa lembrança.


Com um orçamento de US$ 150 milhões, vale muito a pena assisti-lo em alta resolução. Outro acerto foi no casting, com o talentoso Justice Smith e a carismática Kathryn Newton trazendo química e sensibilidade à história. Envolto em um drama familiar e um mistério sobre a possível morte de seu pai, vemos um divertido, descolado e despretensioso Pikachu, capaz de se comunicar com o rapaz e trazer outro grande acerto do filme: o senso de humor. Só faltou o Ryan Reynolds deixar um pouco a safadeza do Deadpool em um filme "classificação livre", mas vamos colocar essa culpa no roteiro. Em alguns momentos as crianças ficaram sem entender as piadinhas ambíguas (ainda bem). Os adultos riram!

Em meio à fama de que adaptações de jogos dificilmente são boas, esse com certeza surpreendeu. Mesmo que a liberdade criativa de sua história perca um pouco a força em seu ato final, o plot twist dá aquela aquecida emocional e nos faz lembrar “do jeito de viver, de que ninguém nunca foi igual”. Sim, teve lugar nostálgico até pra música de abertura dos desenhos! 

Achei o Charmander (meu Pokémon favorito) um pouco desproporcional e cabeçudo, mas é um detalhe que se perde quando aparece o Charizard, e com todo o restante do filme, em um visual impressionante em meio ao neon, numa história que prende a atenção e que consegue entregar o que esses personagens tão queridos mereciam: um filme com “pokémon reais”. Espero por mais.
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★★★★ (Excepcional | Nota: 9/10)

*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR
*Visto em áudio dublado: PT-BR


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