Nunca a metáfora acerca da máscara do Ghostface foi usada de forma tão emblemática. Seja nos anos 90 ou agora em 2026, exatamente 30 anos depois do início de tudo. “Pânico 7” (2026) é um filme que traz muitos “fantasmas do passado” para assombrar, mas sem ficar preso a algo que o distancia do presente. Mesmo que traumas sejam revividos e, mais uma vez, Sidney Prescott (Evans) esteja no meio de outro ataque organizado pelo Ghostface, onde sua casa, com marido e filhos, é o alvo dessa vez.
Antes de tudo, como um fã da franquia que cresceu acompanhando os lançamentos (na verdade, tinha só 8 anos quando o primeiro filme foi lançado, assisti só em VHS. E barrado no cinema quando tentei ver “Pânico 3” em 2000, com apenas 12 anos), cheguei pra assistir essa sétima arte refletindo muito, primeiramente, sobre ainda estar vivo pra poder experimentar esse momento, então, sou muito grato por isso! Depois, por todo o conjunto de fatores tão presentes em mais essa produção, fatores que estão mais vivos do que nunca!
O cérebro e o coração
Sempre se falou sobre Kevin Williamson ser o "cérebro da franquia", o que ele realmente é. Roteirista do primeiro, segundo e do quarto filme (mesmo estando sempre envolvido como produtor em todos), a oportunidade de retornar com o seu Ghostface foi dada novamente, e de uma forma bem diferente das outras vezes: na cadeira de direção.
Por incrível que pareça, fui descobrir só depois de muitos anos de onde realmente surgem os nossos sentimentos, a nossa emoção. Aprendi isso nas aulas de biologia do Ensino Médio? Não. Aprendi assistindo um filme de terror. Mesmo que o fato de ter acreditado, durante tantos anos da minha vida, que nossos sentimentos emanavam do coração, e essa “verdade” ter vindo provavelmente de algo ficcional (veja bem), recebi esse plot twist do autoconhecimento humano pela subjetividade da arte, afinal, nunca é tarde para aprender! Mesmo que estudos científicos recentes afirmam que ambos possuam (de certa forma) uma ligação, tanto o cérebro como o coração, dependendo do caso. Um novo plot twist acerca de todo esse mistério sobre de onde vem os nossos sentimentos.
Muitos cinéfilos então poderão pensar: “Se o roteiro é o cérebro, a direção é o coração do filme”. A questão é que em “Pânico 7” (2026) fica exemplificado, mais do que nunca, o porquê da ciência afirmar que o cérebro é o principal órgão responsável pelas nossas emoções. Kevin não apenas dirige, mas continua envolvido no roteiro, coescrevendo com Guy Busick, um dos roteiristas de "Pânico 5" (2022) e "Pânico 6" (2023), nos entregando em 2026 o filme com a maior carga emocional de toda a franquia. Ainda é um slasher, mas é também sensível, e antes de tudo, sobre RELACIONAMENTOS.
A criatividade se perpetua
Muitos pontos criativos fizeram com que essa franquia se tornasse o que ela é hoje. Além da metalinguagem, sempre se utilizou, filme após filme, um instrumento tecnológico que trouxesse renovação e mantivesse as sequências atualizadas para o tempo ao qual elas estavam sendo lançadas:
- Pânico (1996): telefone
- Pânico 2 (1997): celular
- Pânico 3 (2000): modificador/copiador de voz
- Pânico 4 (2011): transmissões ao vivo (streaming)
- Pânico 5 (2022): Youtube
- Pânico 6 (2023): Kirby
- Pânico 7 (2026): (não darei spoiler!)
Sim, falar sobre isso é dar spoiler! Pois fui pego de surpresa pela criatividade de, mais uma vez, o roteiro conseguir trazer algo diferente voltado para os recursos (ou horrores?) tecnológicos atuais. Tinha até me esquecido disso.
Além de uma cena de abertura original, que enche os olhos dos fãs do Airbnb, “Pânico 7” (2026) possui também os seus problemas, que vêm de seus dois filmes anteriores: o motivo do Ghostface. Não houve redundância, mas o que seria leviano em 2022 e 2023 permaneceu aqui. Porém, a representação do passado e a criatividade vinda de outros pontos da trama salta tanto nas telas, que essa expectativa acerca do grand finale com o Ghostface, tão peculiar da franquia, acaba sendo atropelada antes mesmo de chegar.
Com cenas de perseguição bem dirigidas, bons jump scares e mortes que desde o quarto filme já estavam sendo mais violentas, agora, passaram a ser brutais. Tripas estão caindo no chão enquanto Tatum – filha adolescente/rebelde da Sidney, interpretada pela ótima Isabel May – tenta ter uma vida normal. Não à toa, a classificação para maiores de 18 anos está ali sem a necessidade alguma de nudez explícita ou cenas de sexo.
Filmes como “O Massacre da Serra Elétrica” (1974) e “Halloween” (1978) cumprem o protocolo da "homenagem aos clássicos do slasher" - sendo avô e pai de "Pânico", respectivamente. Além da proposta da carga emocional e geracional presente no reboot de "Halloween" de 2018 estar também bem forte.
Não é sobre os fãs, é sobre a Sidney
Fica nítido nas telas como Neve Campbell se sente a vontade e segura quando o seu personagem está nas mãos de um dos seus criadores. Pra mim, o melhor filme da Neve no quesito atuação pela solidez que consegue transmitir. O roteiro dessa vez dá espaço não apenas para gritos, mas para uma parte dramática, principalmente no que diz respeito à maternidade. Então, se enganou quem achou que “Pânico 7” (2026) seria apenas mais um filme! A franquia merecia esse momento. Mesmo que tantos ciclos já haviam se fechado, faltava alguma coisa. E nós, apenas com um balde de pipoca nas mãos, testemunhamos esse momento nas telas grandes do cinema.
Sinceramente, não sabemos se essa será a última vez que iremos ver a Sidney em ação, mas o que eleva esse sétimo filme a outro patamar é o que está além do que um simples slasher pudesse apresentar. O nome disso é LEGADO. Aqui, não vemos uma história feita para os fãs (fanservice), mas para os PERSONAGENS. E é isso que carregou o clima e chegou a me emocionar.
“Pânico 7” (2026) vem para "torcer a faca" em traumas, mesmo que seja pra consolidar relações de amizade entre Gale e a família Evans, que inclusive, estará morando com a Sidney em “Pânico 8” porque foi demitida (demitida = “contrato não renovado”) e o Dewey não deixou muita coisa, só um trailer...não, péra! Não podemos falar de “demissão”, até porque esse é o motivo do nítido boicote e pelo filme estar recebendo tantas críticas negativas.
O fato é que “Scream” (“Pânico” aqui no Brasil) continua sendo uma das maiores franquias de horror de todos os tempos. Mesmo que o dinheiro nas bilheterias muitas vezes seja a real motivação do Ghostface e fiquemos sem saber a hora certa dele definitivamente parar de dar suas facadas.
____________________________________
★★★★ (Excepcional | Nota: 9/10)
*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR
Ice Nine Kills ft Mckenna Grace - "Twisting The Knife"
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)