Antes de tudo, palmas para o trailer desse filme. Vamos aplaudir...isso. Que bom seria se as distribuidoras, junto das agências de marketing cinematográfico, tivessem sempre esse cuidado em fazer um trailer que mostre quase nada do filme e não estrague o que ele tem de surpreendente. No caso de “A Astronauta” (2025), além de mostrar apenas o necessário, o trailer nos faz pensar que o filme seguirá por algo bem diferente do que ele realmente é, e isso definitivamente contribuiu para ele se tornar uma das mais gratas surpresas atualmente.
Com apenas 80 minutos de duração (na verdade, são 90 minutos, mas os últimos 10 minutos são apenas de créditos) e um baixo orçamento de U$ 5 milhões, temos o exemplo do que é fazer cinema com uma história simples. Quando falo que um filme tem como principal objetivo nos gerar emoções e conseguir nos imergir dentro de sua história, entendemos o porquê um monte de imagens surrealistas ou uma história mirabolante, sem pé nem cabeça, onde nem o roteirista e nem o diretor conseguem explicar o que eles fizeram, dificilmente conseguirá esse feito. Cinema é isso: entretenimento. Seja no minimalismo, ou não. E aqui, temos o puro suco quando sentamos na ponta do sofá para assistir algo sobre determinado assunto.
Dirigido e escrito pela estreante Jess Varley, “A Astronauta” (2025) se camufla em um aconchegante suspense psicológico sci-fi, pra nos enclausurar dentro de uma propriedade luxuosa do governo no meio do mato e rodeada por paredes de vidro, e revelar o que, desde “Sinais” (2002), muitos já não viam: algo realmente assustador com E.T.s. Filmes como "Ninguém Vai Te Salvar" (2023) até tentam despertar o medo do desconhecido quando falamos sobre alienígenas, mas aqui, a diretora Jess Varley teve a sensibilidade em dosar muito bem seus elementos e mostrar somente aquilo que precisa mostrar, até o momento certo de não esconder mais nada nos arquivos da Nasa.
Com uma trilha-sonora envolvente e um lado emocional que nos remete um pouco ao Spielberg, o filme se mantém impecável dentro de sua proposta em fazer o básico bem feito. Com uma reviravolta final audaciosa e uma capacidade rara de ser assustador em pequenos detalhes, “A Astronauta” (2025) talvez seja favorecido pelo simples fato de ter sido lançado no tempo certo, e eu o ter assistido em um momento mais certo ainda.
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★★★★★ (Obra-prima | Nota: 10/10)
*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR
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