[Crítica] Obsessão (2025): Mas o que vemos é uma possessão

Procurei assistir sem hype alguma. Mesmo com o bom marketing, com a mídia, a boa nota no Rotten e as redes sociais ovacionando e, inclusive, o considerando o melhor filme de terror do ano. Sinceramente, não sei qual o fenômeno acerca de “Obsessão” (2025) para chegar a tal nível de influência e conseguir levar tanta gente aos cinemas. Talvez alguém da produção “quebrou um Salgueiro do Desejo”, um bom contato surgiu na agenda, ou apenas fizeram um bom marketing mesmo.

Não é de hoje que os youtubers vêm conquistando espaço e se destacando também no cinema, como os irmãos Philippou de "Fale Comigo" (2023) e, recentemente, Kane Parsons com “Backrooms: Um Não-Lugar” (2026). Longe de mim subestimar a capacidade de alguém em ser criativo e fazer uma obra cinematográfica bem feita. Muito menos subestimar alguém pela idade ou experiência que ela tem. Quando não possui tanto investimento, muitos já sabem o quanto uma produção é capaz de causar estardalhaço e se tornar um fenômeno de bilheteria, mesmo com um orçamento baixíssimo. Mas independente de qualquer coisa, a questão é: o filme realmente é isso que estão falando?


Nem sempre o que vale nossa consideração é sobre o dinheiro que gastamos no ingresso de cinema. Às vezes nosso valor é o tempo. Nem mesmo um filme média-metragem que foi lançado diretamente em streaming deixa de ser considerado uma perda de tempo quando beira o amadorismo e acaba parecendo um trabalho de um curso de cinema. “Host: Cuidado com Quem Chama” (2020) do britânico Rob Savage que o diga. Ele que também dirigiu “Dashcam” (2021) e “The Boogeyman” (2023).

Em “Obsessão” (2025), Curry Barker tenta. E muitos ainda incentivam o mantra: “O importante é tentar”. Isso, de certa forma, possui o seu grau de amadurecimento, mesmo que seja pra passar vergonha e depois entender que o tentar pode andar lado a lado com a sensatez. Mas ao menos ele tentou. Vamos aplaudir sua coragem! 

Diferente do personagem central que não tem a coragem de dizer o que sente, dentro de um roteiro que carrega o relacionamento amoroso como base e a possibilidade de abordar questões sérias como saúde mental, relacionamento tóxico, dentre outros dramas, entendemos que a escolha aqui foi estritamente o terror. E quando falo sobre o gênero terror, seria a grosso modo, como se outros filmes já não tivessem utilizado de objetos mágicos pra conceder desejos. Com isso, o que poderia ter se tornado algo mais elevado, vira uma possessão como consequência do feitiço mostrado no trailer.

É uma pena quando uma boa premissa perde o rumo para o lado ruim. O que poderia ter dado certo, acaba sendo conduzido sem a sensibilidade necessária para não se descaracterizar e conseguir expressar melhor sua mensagem. E o que é pior, faz um comportamento sinistro sair do que seria assustador para o ridículo, chegando a gerar risos no espectador, sem ser essa a real intenção do roteiro. 

O que me impressionou mesmo foi a concentração e atuação de Michael Johnston e Inde Navarrette como o casal que não “deixou acontecer naturalmente” na roda do pagode. Eles conseguem segurar o riso e levar a sério o namoro arranjado. Sei que o extremismo, a manipulação e a perda de controle fazem parte de muitas pautas na terapia de casal, assim como em um filme de terror, mas o que acaba salvando “Obsessão” (2025) de não ser péssimo é a atuação deles. Esse quesito, com certeza, foi o que sustentou o relacionamento. Do começo ao fim. Já o filme, até "7 Desejos" (2017), que não é nada bom, consegue ser melhor.
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★ (Muito ruim | Nota: 2/10)

*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR