[Crítica] A Noiva! (2026): Quando o cinema se torna magistral e icônico


Com tantas produções baseadas na obra de Mary Shelley para trazer algo significativo depois de tantas produções baseadas na obra de Mary Shelley, uma hora a tentativa passa do que seria apenas ambicioso e acaba, de fato, dando certo. A Noiva! (2026) tem seu lançamento no ano seguinte ao "Frankenstein" (2025) de Guillermo Del Toro, e ficamos sem saber o que realmente faz um filme merecer toda a notoriedade quando chega o período de premiações. Desde já, fico na expectativa de que esse entre como um dos melhores do ano no Oscar 2027, ou, será apenas outro filme que acabará sendo esnobado por ter sido lançado sem estratégia. Quem sabe esse seja o motivo.


Afinal, podemos ter dois filmes baseados na mesma obra sendo premiados por dois anos seguidos? Podemos. O que seria injusto é “A Noiva!” (2026) ficar longe dos holofotes, e não venham me dizer que o boicote se daria pelo dilema dela preferir estar apaixonada ao invés de seguir a mensagem feminista da mulher independente. Aqui, estamos diante de uma obra-prima. Com a personalidade necessária de não ter sido feito somente para se encaixar dentro de algum molde preestabelecido, mesmo que flerte com a coreografia de um musical e reúna vários gêneros e subgêneros dentro de suas duas horas.

Destaque para dois nomes: Maggie Gyllenhaal (sim, ela mesma! A irmã do Jake), que além de atriz e bem conhecida por “O Cavaleiro das Trevas” (2008), e de já ter chamado atenção em sua estreia na direção e como roteirista em “A Filha Perdida” (2021), agora nos entrega algo que seria bem difícil não se enquadrar dentro do “original”, e não necessariamente o “adaptado”.

O segundo nome: Jessie Buckley, atriz irlandesa e ganhadora, não apenas de um Oscar por “Hamnet” (2025), mas de vários outros prêmios. No horror, já havia estreado com o surrealista “Men: Faces do Medo” (2022), mas agora teve oportunidade de entrar em um papel que vai do arrebatador e monstruoso ao auge do que seria icônico, transitando por várias emoções e camadas, ainda que houvessem possíveis inspirações, com Emma Stone em "Pobres Criaturas" (2023) e Margot Robbie e a sua Arlequina. Com tantas excentricidades a se comparar, ela conseguiu entregar algo único, com um roteiro original que ajudou a ir muito além de comparações. 

Christian Bale deve ter se divertido trabalhando nesse filme. Além de também ter entregado uma performance incrível. Com o personagem de Frankenstein sendo usado como metáfora aos vários pedaços de gêneros e elementos técnicos primorosos acoplados em um único lugar, “A Noiva!” (2026) entrega o horror corporal, a dança performática (digna de fazer Michael suspirar), e um sci-fi romântico costurado ao thriller gângster que carrega boa parte de um enredo desenfreado e possuído pelo espírito de Mary Shelley. Insano! Filmaço com críticas mistas, onde provavelmente tenha sido mal compreendido. Ou, no caso, a paixão de sua noiva.
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★★★★★ (Obra-prima | Nota: 10/10)
 
*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR