[Crítica] Backrooms (2026): Um Não-Lugar


Antes de falar sobre o filme, vamos entender um pouco o que seria uma “creepypasta”, termo utilizado para definir lendas urbanas criadas na internet. A palavra “creepy” (assustador) + “copypasta” (conteúdo copiado e colado de forma viral em fóruns na internet) possui um conteúdo que mistura ficção e realidade para assustar os leitores, dando a entender ser um documento real ou vazado, podendo ser pequenos textos, imagens perturbadoras ou vídeos, geralmente criados por um usuário anônimo, aumentando ainda mais o mistério.

A origem da creepypasta “Backrooms” é de um fórum anônimo do 4chan. Um usuário publicou a foto de um corredor vazio com um texto curto dizendo que se você não tivesse cuidado e saísse acidentalmente da realidade (“noclip”), você cairia nas “backrooms”: um labirinto infinito de salas vazias que exala um cheiro de carpete úmido e tem um zumbido constante. 

Em janeiro de 2022, Kane Parsons (na época com 16 anos) publicou no YouTube o vídeo "The Backrooms (Found Footage)", usando o software de modelagem 3D Blender para criar uma animação ultrarrealista que simulava uma fita VHS dos anos 90. Parsons expandiu a lenda da creepypasta ao criar uma narrativa de ficção científica complexa e inserir a corporação Async, responsável por abrir portais para essa dimensão. O sucesso da websérie chamou a atenção de Hollywood, e com apenas 20 anos de idade (e um baita canal no Youtube), Kane Parsons chega estreando com o longa-metragem distribuído pela A24, agora em 2026.

Do Youtube para as backrooms do cinema

Com um roteiro do também estreante Will Soodik, “Backroom: Um Não-Lugar” (2026) faz jus em ser um dos filmes mais falados desse ano no gênero, trazendo não apenas uma história que prende nossa atenção e nos envolve em seu mistério de coisas estranhas, mas sendo bem eficaz do que diz respeito a assustar. A direção de Kane Parsons sabe como tornar uma cena bizarra, seja com o uso do found footage ou não.

O roteiro utiliza muito bem da parte psicológica, que me lembrou um pouco o surpreendente "Você Deveria Ter Partido" (2020), com o detalhe, claro, de fazer os fãs de Harry Potter também se lembrarem da "Sala Precisa". Os diálogos são interessantes e conseguem desenvolver seus personagens, valorizando seus atores. A norueguesa Renate Reinsve (como a Dra. Mary Kline) rouba a cena, e depois de dar uma pesquisada em seu currículo na internet entendi o porquê. 

Mesmo que “Backrooms: Um Não-Lugar” (2026) se eleve na forma de gerar tensão e medo, ele se perde um pouco no surrealismo, esse que caminha paralelamente ao psicológico. Sei que a graça do mistério é justamente não ter resposta para tudo, mas aqui existem pontos o suficiente para pelo menos entendermos que alguns lugares não caberia a nós explorá-los.
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★★★★ (Ótimo | Nota: 8/10)

*Visto em áudio original: Inglês | Legenda: PT-BR